Toda estudante e bailarina de dança oriental que tem um comprometimento real com esta arte sabe o quanto estudar a música árabe é essencial para o estudo desta dança.
Gosto sempre de dizer que a dança na cultura oriental integra a música, não é algo a parte, são artes complementares e que toda bailarina de dança oriental deve dançar em uníssono com a música, deve fazer parte da orquestra, seria a materialização do som.
Sendo assim, é essencial quando escolhemos uma música cantada saber sobre a letra da música. Entender a poesia do canto nos permite uma entrega maior da alma e uma segurança que nos proporciona liberdade de expressão.
Quando escolhi a música Nebtidi Mnain El Hikaya para dançar no 4º aniversário do Pandora Danças, dia 01/02/2014, tinha uma certa noção do que a música dizia, mas minha escolha foi mais baseada pela sua beleza melódica e por ser uma música que me toca bastante. Existe uma versão grega para esta música chamada "Ta Mavra Matia Sou" (Seus Olhos Negros), que ouço desde muito pequena, mas depois descobri que a original era árabe, interpretada pelo famoso cantor egípcio Abdo Halim Hafez, e muito mais linda e completa (sou grega fanática, mas não sou sem noção, kkkk).
Então fui atrás do que o poema da música dizia, e me surpreendi com a beleza do seu significado e com o tanto que aquele significado simbolizava para mim e representava a minha relação e história com a dança. Me emocione muito, e então optei em não ensaiar a dança, apenas ouvir muito a música, passando a letra várias vezes até que ela fizesse parte de mim, e assim fui eu finalizar a festa de aniversário da minha escola, com uma sensação de plenitude e conquista em meu coração.
Segue a letra da música, em árabe para vcs acompanharem o cantor, e também sua tradução, pela qual devo agradecer imensamente ao meu marido e músico Sami Bordokan que me auxiliou.
Posto também o vídeo da versão original da música. Embriaguem-se e orientem-se!!!!
NEBTIDI MNAIN EL HIKAYA - LETRA E TRADUÇÃO
Onde Começa a História
Laou Hakina, ya habib, nebtidi mnain el hikaya...
Se falássemos, meu amor, por onde começa a nossa história...
Nahna i´ssat hobina, hobina, leeha aktar min bidaya
o nosso amor, nosso amor, tem mais que um começo
Aishna feeha yama aishna, yama aishna
vivemos nela, quando a vivemos
Shoufna feeha yama shoufna, yama shoufna
e enxergamos nela o quanto enxergamos
Lakein misheena u kammena wishwar el hob us´sina
no entanto caminhamos pela estrada do amor e chegamos
Id dounia ma edert taanitna witfar´a beina wit baid´na
o mundo não conseguiu nos contrariar e nem nos separar
Taala, taala, taala win ul i dunia, ana u inta, izzai idirna
venha, venha, venha, e diremos ao mundo, eu e você, como conseguimos
Ni baid an aei azeb, wi naish alla tul ahbeb
nos distanciamos de qualquer sofrimento, e seguimos vivendo para sempre como amantes
Nahdum farhetna, farhetna, farhetna sawa
vamos assegurar nossa felicidade
win khale el hob shabbab
e manter nosso amor sempre jovem
Hoje publicarei neste meu espaço um texto um pouco diferente mas que considero de muita importância. Meu trabalho com a cultura do oriente médio de resgate e manutenção de suas raízes não teria valor nenhum se eu também não criasse raízes no país que vivo e amo. Mas parece que não nos é permitido ter esta identidade histórica e cultural, não nos é permitido ter uma história e mantê-la viva. O que seria do Pathernon se tivessem ampliado a pequena estradinha estreita que dá acesso àquele grande monumento??
Enfim, transcrevo aqui meu desabafo postado hoje no facebook
ECA!!!!! FIQUEI COM VONTADE DE VOMITAR!!!!
TRÂNSITO X ABUSO DE PODER X EXPLORAÇÃO X FALTA DE SENSO DE
IDENTIDADE HISTÓRICA E CULTURAL X OTÁRIOS (ESTES SOMOS NÓS)
Semana passada (09/11 a 12/11/2013) tirei uma mini férias e fui para Ilhabela
(Litoral Norte paulista). Feliz da vida segui rumo a Rodovia Tamoios (SP099), uma estrada que tem
grande significado para mim e que conheço como a palma da minha mão após 38 anos de utilização.
Rodovia Tamoios - SP099
Para
mim é sempre uma grande emoção seguir por aqueles 82km de uma estrada
construída em torno de uma natureza rica, dos quais 27km são de uma serra linda
em plena vegetação nativa da Mantiqueira com lindos trechos com vista
panorâmica para o litoral!!! Tenho comigo nas minhas entranhas a sensação de
cada curva com as quais meu pai costumava brincar qdo eu era pequena
cantarolando em grego e esticando as notas da canção a medida que as curvas
eram mais acentuadas. Momentos realmente felizes e plenos com amigas e pessoas
muito amadas. Ainda lembro do suor frio em minhas axilas quando eu desci aquela
serra pela primeira vez como piloto, no meu primeiro carrinho, um Uninho branco
que só tinha 4 marchas e bancos de plástico, e com trilha sonora do Giannis
Pários (Ta Nissiotika - músicas de ilhas) assim como meu pai costumava fazer,
ainda sinto as lágrimas de emoção descendo pelo meu rosto.
O Litoral Norte de São Paulo sempre me trouxe um "quê" de Grécia, talvez pelo mar calmo e azul.
Mas estas lágrimas já não eram mais de emoção na sexta-feira
passada (08/11/2013). Após um longo afastamento deste lindo litoral de quase 2
anos, foram lágrimas de indignação, de ojeriza, de tristeza e de um sentimento
de perda e de impotência gigantes.
Vista panorâmica da Serra - a dir a "montanha Gorila", como eu e minha
irmã apelidamos quando criança.
As 9 horas de trânsito e transtornos para se chegar ao
destino no qual a média é de 3 horas foi o menor dos fatores. Depois de trabalhar
absurdamente durante meses de domingo a domingo, conseguir tirar 4 dias de
descanso e perder 5 horas deste tempo precioso no meio de obras, ainda foi o de menos. A
minha maior indignação é A OBRA!!!!
Vamos começar com as placas: DUPLICAÇÃO DA TAMOIOS - GOVERNO
DO ESTADO DE SÃO PAULO. Óooohhhhh, vamos aplaudir!!! eca.... fala sério???
desde quando destruir a natureza para duplicar uma estrada
merece aplausos????
Obrigada políticos e empresários por destruir a natureza e
as minhas memórias. É uma pena que as próximas gerações
não poderão mais apreciar a beleza da nossa natureza, e
irão para o litoral como minhocas por baixo da terra,
destinados à miopia e às prisões de concreto! ECA!!
E onde estava uma placa prévia avisando das condições da
rodovia??? não, não tinha nenhuma, em toda a extensão da Ayrton Senna e da
Carvalho Pinto, e nem na entrada da Tamoios havia nenhum aviso. Apenas mais 2
pontos de pedágios além do que já existia há 2 anos.
segunda eca: a obra que já dura mais de 1 ano está
praticamente falindo com os comerciantes locais pois todos que tem conhecimento
da obra não seguem mais por aquele caminho. A famosa lanchonete "Vaca
Preta", que faz uma calabresa clássica, simplesmente vazia... os outros
estabelecimentos então, às moscas, ninguém pensa nos trabalhadores que precisam
destes empregos??
Claro que não, pois serão beneficiados com o
"progresso"!!!!
Então várias coisas começaram a vir na minha cabeça,
licitações, leilões, pedágios... dinheiro, dinheiro e mais dinheiro para
aqueles que já tem muito!!! dinheiro de quem???? meu, seu, do coitado do
trabalhador que perdeu seu emprego...
enfim, a eca final e apoteótica foi no km 60, INÍCIO DO
TRECHO DE SERRA, FIM DA OBRA DE DUPLICAÇÃO!!!!
o que??????????????????????? pra que então???? ampliar 60km
de estrada para todos afunilarem nos últimos e mais delicados 22 quilômetros???
quase saí do carro para vomitar!!!!
fiquei indignada!! não é possível eu pensava!!!!
mas daí claro que não é possível, pois precisamos de mais
licitações, mais leilões, mais pedágios, mais dinheiro, e mais destruição da
natureza!!!
veja bem, não sou contra o progresso, mas também não posso
aceitá-lo a qualquer custo!
A Rodovia Tamoios é um patrimônio paulista, um patrimônio
histórico e cultural, foi pavimentada em 1957 e teve melhorias nos anos 60 e
70, com o nosso dinheiro, e trouxe melhora de vida para a região. É uma
excelente estrada, e nunca teve pedágios pois é nossa, não de nenhuma empresa
privada.
Fazer uma obra que custa mais de R$500.000.000,00 com o
nosso dinheiro para leiloar para uma empresa que terá uma concessão de
utilização de 30 anos e ainda cobrará pedágio é um absurdo, uma afronta, um
assalto a mão armada!! E não pára por aí, pois ainda terá o trecho da serra,
com muito mais complicações pois de um lado está a montanha e do outro o penhasco!!!!
Ou seja, muito mais dinheiro (já há estimativas de mais de R$2 bilhões) e
destruição!
Praia Martins de Sá - Caraguatatuba
será que cabe mais alguém???
E não posso deixar de me perguntar: pra que??? o litoral
paulista nem tem estrutura para mais turistas nas altas temporadas. Falta água,
falta rede de saneamento adequada que não polua o mar e as águas, falta estrutura comercial,
falta até espaço na areia e no mar!!!! Sobra pernilongos, baratas, borrachudos, filas, sujeiras, viroses e
daí falta também atendimento de saúde!
E no final???? ECA!!!!!!!!!!!
É isso aí!!!! Viva o progresso!! Que tal duplicar também a Rio-Santos, a Mogi-Bertioga e trocar seus nomes para nomes de políticos e empresários sujos?? Eca!!!!!!!!!!!!
OBS: Segundo a Associação Brasileira do MP do Meio Ambiente, a obra gerará o maior desmatamento da Mata Atlântica, 370 mil metros!
Nestes últimos dias me deparei com 3 momentos de 3 grandes artistas (Souhair Zaki, Glykeria e Fernanda Montenegro). Momentos estes que me fizeram refletir sobre a questão da idade.
Percebi que estas 3 diferentes e maravilhosas artistas, no esplendor da vida e da maturidade conseguiram superar a si mesmas e me surpreender ainda mais com o seu talento o qual eu já admirava.
O carisma e a sabedoria destas mulheres é algo que pegou dentro da minha alma, o que menininha nenhuma com corpinho e rostinho perfeito conseguiram fazer.
Refletindo sobre estas 3 mulheres incríveis, um pensamento não sai da minha cabeça, quero ficar incrível logo!!! Entretanto sei que isto vai demorar, pois é um longo processo, só com o passar dos anos é que vamos acumulando tanta bagagem a ponto de que ela começa a pesar tanto que sua distribuição torna-se inevitável, pois aquele que não distribui torna-se pesado e não consegue mais caminhar!
Podemos até nascer com um mega talento, mas a experiência de vida somada a este talento numa mente aberta faz coisas inacreditáveis, de beleza ímpar e sem artifícios. É um simples que representa o tudo!!
A grande bailarina Souhair Zaki, dançando, já com uma certa idade. Percebam quanta emoção é transmitida em cada movimento, a entrega, o prazer e o domínio total da cena.
Esta é a cantora grega Glykeria, no auge dos seus 64 anos estava em turnê pela América Latina, esta cena é a entrada dela no último show realizado em São Paulo, no dia 10/05/2012, o qual tive o imenso prazer de estar presente. Acompanho a carreira desta talentosa cantora que sempre teve uma linda voz, entretanto percebam como o seu timbre esta mais aveludado, mais trabalhado e carregado de emoções, sem contar o lindo "mawell" que ela executou no meio da música.
E aqui uma maravilhosa entrevista, um banquete de sabedoria, deste talento indiscutível que é a Fernanda Montenegro. Palavras que servem para qualquer artista, e que para nós bailarinas é cabem como uma luva!
Outras maravilhosas artistas que me impressionam em sua maturidade:
Tamalyn Dallal
Nadia Gamal, aos 60 anos
Nossa, não vejo a hora de ficar velha, mas quero ficar assim, carregada em emoções e sabedoria!!!
E da próxima vez que alguém falar que está velho para dançar ou que você é velha para dançar, lembre-se deste post!!!
bjssssss
Nos dias 13, 14 e 15/04 tivemos aqui na cidade de
São Paulo/Brasil, o maior festival de danças árabes da América Latina, o
Mercado Persa, idealizado pela mestra Samira e organizado por Shalimar Mattar,
este festival que começou pequeno e há 14 anos atrás atinge hoje uma dimensão
gigantesca e alcança milhares de pessoas entre as que o acompanham fisicamente
e também através das redes sociais, youtube, blogs e etc.
Neste ano não consegui participar do festival por
razões diversas e pessoais, mas não pude deixar de dar uma “escapadinha” e
prestigiar o evento na sexta e no sábado. Assisti algumas apresentações,
acompanhei alguns concursos e presenciei algumas situações e no final das
contas, também é legal ver “de fora” pois pude avaliar tudo por um outro olhar.
Foi muito prazeroso assistir o show de abertura na
sexta-feira a noite, no qual o tema foi a história da dança do ventre no
Brasil. Senti uma emoção muito forte em reviver momentos que fizeram parte da
minha vida, a reprodução de uma “taverna” onde tinham apresentações de
bailarinas relembraram a minha infância nos restaurantes e festas gregas e
árabes, quando ninguém achava estranho colocar uma bailarina em cima da mesa e
presenteá-la com dinheiro. Rever também as primeiras gerações de bailarinas da
Khan El Khalili, como Aisha Almee e Munira Magharib no palco, com modelitos “a
moda antiga” e dançando “a moda antiga” também me emocionaram e me relembraram
meus momentos frequentando a Casa de Chá e depois as primeiras versões das
Noites no Harém. Rever Cláudia Cenci no palco também foi maravilhoso, relembrei
da época do Clone e toda loucura que vivemos nesta fase com milhares de
apresentações por dia, dançando de um tudo para todos.
Muitas coisas lindas e interessantes fizeram minhas
pupilas brilharem. Assistir Saida dançar ao vivo é avassalador, a energia da
Samira e o sorriso da Shalimar são sempre contagiantes, e não poderia deixar de
citar a linda apresentação de dabke que Anthar Lacerda me proporcionou, um
colírio!
A quantidade de roupas lindas nos palcos, nos
desfiles, à venda nas barracas, uma incrível variedade de assessórios também
fazem do evento um sucesso. Fiquei realmente feliz em perceber a volta dos
figurinos de dança do ventre num estilo mais tradicional, bem como deste
resgate em muitas das apresentações e resultados de concursos.
A culinária também não deixa a desejar, um falafel
para árabe nenhum botar defeito me deu energia para um dia inteiro. E sem
contar o prazer de reencontrar pessoas queridas, conhecer profissionais
diferentes e ver como cresceu o número de praticantes da nossa tão amada dança
do ventre.
Entretanto, algo me incomodou e me deixou muito
chateada e me senti na obrigação de dizer. Mesmo com toda a acessibilidade à
informação que as pessoas tem hoje em dia a respeito das danças orientais, a
quantidade de grupos que distorceram tradições e folclores foi decepcionante.
Alguns grupos não tem a mínima noção do que é uma dança folclórica e do que não
é, da questão dos trajes, das músicas, dos movimentos e passos. Neste ponto,
gostaria de deixar um alerta aos grupos que se inscrevem como folclóricos.
Estudem, pesquisem, façam aulas com quem entende, leiam o regulamento do
festival, e só depois concebam um trabalho para apresentar. É preciso ter um
pouco de respeito com o público, seja este leigo ou não.
Veja bem, o leigo assumirá como verdade a sua
proposta, e o não leigo se sentirá ultrajado e agredido (foi como me senti),
não é o que você quer né!
Um bom começo é a definição de folclore pelo
Aurélio (dicionário) – folclore é o conjunto de poemas, canções, danças,
tradições e lendas de uma determinada região.
Outro conceito primordial é o de que estas danças
geralmente nascem de situações do cotidiano, são uma manifestação do
comportamento cultural, histórico e social dos indivíduos e expressam uma
tradição viva e popular.
É claro que quando levamos um folclore para o palco
estamos adaptando a tradição para um espaço cênico, mas há de se ter muito
cuidado para não distorcer ou ridicularizar. Sinceramente achei que o Brasil já
tinha superado isto, daí fiquei realmente triste.
Outra questão que me deixou chateada foi a falta de
educação do público. Precisamos sempre respeitar o artista que está no palco e
também àqueles que o estão prestigiando. Não é elegante passar na frente, falar
alto ou atrapalhar a quem esta assistindo. O mínimo é esperar o pequeno
intervalo entre uma dança e outra para passar, afinal, não é tanto tempo assim
né!
De qualquer forma, é sempre bom presenciar um
evento como este com a cara do Brasil, pois o que eu mais admiro no Mercado
Persa é a liberdade de expressão do artista. Ou seja, só não dança quem não
quer, pois são muitas as categorias, e para quem não quer concorrer, há sempre
a possibilidade de participar das mostras, tem espaço para todos! E podem já
reservar o meu, pois em 2013 estarei lá, eu e a Pandora Cia de Danças!!
Apreciem a linda apresentação da vencedora do concurso Solo Profissional Star
Dança do Ventre clássica, impecável, sem invencionices!
Quero compartilhar com vocês esta especial entrevista que cedi para o blog da bailarina Ísis Zahara. Além de mencionar alguns detalhes de como iniciei nas danças orientais, falo um pouquinho também sobre a dança do ventre no estilo grego e algumas curiosidades!
É muito comum lermos uma série de textos, artigos e
reportagens relatando os inúmeros benefícios da Dança do Ventre. Benefícios ao
corpo físico que melhoram nossa musculatura, flexibilidade, funcionamento do
organismo, queima de calorias e etc, benefícios no plano mental relatando a
diminuição do stress, e melhora da coordenação motora. Benefício no plano
emocional, ligados a auto estima, o amor próprio, a TPM e a plenitude de ser
mulher
A lista destes benefícios é bem grande, mas pela
minha experiência na prática da dança, nestes últimos 20 anos o maior e melhor
benefício que a dança do ventre me trouxe foram as amizades.
Tive amigas na escola, faculdade, empregos,
amizades muito boas mas que se foram com a distância, não que deixaram de ser
amigas, mas perdemos o contato. Entretanto as amigas que fiz na dança, nunca
mais se foram, mesmo distantes estão sempre perto, é como se tivéssemos
realmente um pacto de sangue, o que me fez pensar um tanto sobre o assunto.
Então concluí que a dança traz este benefício também, pois na dança encontramos
pessoas que realmente tem a mesma sintonia, a mesma filosofia de vida,
afinidades verdadeiras, afinidades de alma.
Na escola, no trabalho e na família também temos
amizades, mas na dança as amizades se tornam mais profundas pois dividimos não
só uma sala de aula ou um palco, dividimos nossas emoções, nossos medos, nossas
fragilidades e nossas virtudes de forma aberta e clara.
Quando alguém procura uma aula de dança do ventre,
raramente procura somente por achar a dança bonita ou para querer fazer um
exercício físico. Mesmo que inconscientemente, a mulher que quer aprender dança
do ventre quer também saber mais sobre ser mulher, quer resgatar valores
femininos de um passado muito remoto no qual nossas civilizações eram matriarcais,
quer resgatar o elo feminino e a união que nossas ancestrais possuíam e que
hoje em dia é tão raro, quer entender as ansiedades da sua alma e encontra no
contexto das aulas e da dança mulheres que tem estas mesmas ambições.
Quantas vezes não escutamos uma colega dizer que a
amizade entre homens é mais sincera, ou que uma colega quis sabotar outra para
lhe roubar um namorado, ou cargo ou mesmo status social. Eu sinceramente não
acredito que a mulher seja este ser ardiloso e cheio de maldade e que vivem
isoladamente, acredito somente que mulheres que agem desta forma o fazem por
não terem encontrado um equilíbrio no seu eu interior, assim como alguns homens
também agem desta forma . As mulheres da atualidade precisam perceber em
primeiro lugar que são mulheres, são diferentes dos homens e não precisam agir
ou pensar como eles.
Nas aulas de dança do ventre (pelo menos as que
ministro e as que frequentei) isso fica bem claro, somos diferentes, podemos
nos unir, podemos ter emoções, podemos rir e chorar ,podemos errar, podemos ter
quilos a mais ou a menos, podemos ter prazer e nos aceitar da forma que somos,
nos sentir bonita, elogiar a outra, ser nova ou velha, ser branca, oriental ou
negra. Podemos sentir, ficar descalças e perceber a energia que vem da terra e
invade nossos ventres, podemos ser livres e demonstrar nossos sentimentos de
verdade, ser cúmplices das nossas fraquezas e testemunhas das nossas glórias, e
assim vamos criando um elo com cada companheira de dança que é difícil de
romper, vai nascendo um vínculo construído com grandes e fortes alicerces, um
vínculo baseado em verdades profundas das nossas almas, um vínculo o qual
chamamos de AMIZADE!
Com muita emoção e recém chegada de Natal/BR onde
reencontrei amigas, irmãs de alma, trazidas para minha vida pela dança, dedico
este texto para Regina Silva, Vanessa Abílio e Denise Mussio que transformaram
esta viagem num encontro inesquecível, e também a Claúdia Parolin e Naira Gios
que, mesmo fisicamente ausentes, estavam muito presentes nas nossas lembranças.
Dedico também a todas as professoras e alunas do
Pandora Espaço de Danças, que transformam a minha diária labuta em fonte de
imensos prazeres e realizações como ser humano!
Uma linda semana a todas!!
Minhas amadas amigas no dia do meu casamento - Amo vocês
Queridos, após um longo período sem postar, estou de volta, com a corda toda e de cara nova!!!
Confesso que fiquei um tanto desestimulada a continuar com a proposta do blog, a dificuldade em compartilhar informações que considero preciosas e que muitas vezes foram vítimas de injustos apedrejamento me deixaram desanimadas. Por outro lado, recebi inúmeros pedidos para continuar com as postagens. Aceitarei críticas e sugestões, todas são bem vindas, desde que assinadas. Falar mal e não se identificar, desculpem, mas tá fora, vou excluir!!
Gostaria de saber a opinião de vcs sobre os assuntos que gostariam que eu escrevesse para que eu possa atender as necessidades (quando for da minha alçada), e compartilharmos assim conhecimento!!