Postagem em destaque

Bem Vindo!!!

Bem vindo ao meu espaço de divulgação da minha arte e também da minha vivência como ser humano criativo!!! Aqui vocês encontrarão não só u...

Mostrando postagens com marcador taksim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador taksim. Mostrar todas as postagens

7 de mai. de 2014

Aula de Música - Ritmos, Instrumentos e Estilos

Atendendo a pedidos, principalmente de estudantes das danças árabes que moram muito longe de São Paulo o que dificulta o acesso à cursos presenciais, de tempos em tempos vou escolher uma música para estudá-la juntamente com vocês.

Neste post escolhi uma das minhas últimas apresentações por 2 razões. A primeira é porque a música escolhida é uma interpretação do músico Abboud Abdel Aal, que faz parte do álbum Arabian Nights. Este músico, apesar de pouco conhecido entre as bailarinas, tem interpretações lindíssimas de músicas conhecidas e também é excelente na execução de taqsins, particularmente as de violino e de acordeon. A outra razão, é porque esta música, além de muito tradicional, tem uma riqueza sonora e rítmica interessantes.


Eu diria que este é um estilo de música ideal para a dança oriental, pois proporciona a entrega, a brincadeira, a instrospecção, a troca com o público e um repertório variado de movimentos, especialmente os de quadril.

Ela inicia com uma taqsim de violino (improviso melódico oriental), com base rítmica em wahda chifteteli
DUM-TAK-TAK/DUM-TAK-

A taqsim dura até 1min30seg. E então se inicia uma música chamada "Hizzi ya Nawaem" (o requebrar da donzela). Esta música é composição do famoso Farid Atrash, foi composta para dança oriental e apesar do compositor ser egípcio, esta canção faz menção à um estilo de folclore mais libanês. No vídeo acima o ritmo de base é o maksoum, a instrumentação é basicamente violino e aos 2mim20seg uma nay faz uma pequena frase.
No final da postagem, coloquei o vídeo da canção que foi interpretada originalmente por Issam Rajji, cantor libanês, e a bailarina Nadia Gamal, que também fez muito sucesso no Líbano, talvez por isso a escolha desta música neste filme.
MAKSOUM: DUM TAK-TAK DUM-TAK-

Aos 3min08seg, inicia uma taqsim de acordeon no estilo baladi, aos 3min57min percebemos a típica brincadeira entre acordeon e derbak muito comum neste estilo musical, aos 4min25seg, entra a base rítmica em masmoud saghir (vulgo baladi) e o acordeon continua sua improvisação melódica e aos 5min16seg percebemos a evolução do ritmo para o fallahie.
MASMOUD SAGHIR: DUM DUM-TAK DUM-TAK-

Aos 6h12seg inicia um solo percussivo com o ritmo laff /malfouf em estilo da dança hagalla (3 compassos com uma variação no quarto) e depois percebemos as brincadeiras típicas de um solo percussivo para dança e aos 6min45seg temos novamente o maksoum como base rítmica até que acelera e finaliza em um "rush" (rrrrrrrrrrrrrrrr).
LAFF: DUM-TAK-TAK

Espero ter ajudado, bons estudos!!!!! Aproveito para convidar para o próximo curso que darei em SP, um intensivo em RITMOS muito rico e preparado com todo o carinho!

Para ficar por dentro de todas as minhas novidades, dicas, conteúdos e eventos dançantes, não deixe de se inscrever em minha lista!!

 
CURSO ESPECIAL - SEGUNDO SEMESTRE 2019 - VAGAS LIMITADAS


Música - Hizzi ya Nawaem
Issam Rajji e Nadia Gamal

17 de mar. de 2010

A Dança na Música Árabe

A Dança Oriental, Raks El Sharki ou mesmo Dança do Ventre como é mais conhecida aqui no Brasil é uma dança fascinante, não só pelos movimentos complexos que exigem bastante consciência corporal e treino mas também pela sua integridade com a música.

Na filosofia oriental, dança e música é uma coisa só, não existe no universo música sem dança e vice e versa. Na música árabe os instrumentos tocam uma melodia em uníssono e a dança é mais um elemento que integra ao todo formando uma única arte.

Uma das principais características das artes árabes é a riqueza de ornamentos e com a música e a dança não é diferente, são numerosas em detalhes, são rebuscadas e possuem uma forte conexão com as emoções e com a alma.

Uma das características que mais diferencia a música oriental da ocidental são os modos, na música oriental existem mais de 400 escalas e isso é possível devido a não limitação de notas musicais sendo muito comum a utilização de quartos de tom. A essas escalas se dá o nome de “maqan” e para cada “maqan” podemos associar diferentes sensações, ou seja, existem “maqans” que enchem nossos corações de alegria, outros de tristeza, outros de nostalgia, espiritualidade, força, paixão, sono, euforia... Outra característica já citada anteriormente é a melodia tocada em uníssono por todos os instrumentos. Não podemos deixar de citar também as “taksins”, que são improvisos de cada instrumento dentro de um determinado “maqan” com ou sem base rítmica. E por falar em ritmo, não podemos deixar de citá-los pois são inúmeros podendo uma só música contemplar vários ritmos diferentes. São muitos detalhes além destes que vão moldar a música árabe, mas acredito que estes sejam os principais.

A Dança Oriental segue também pelo mesmo caminho, e uma das características mais interessantes é sua conexão o tempo todo com a música, acompanhando cada nota, cada ornamento e humor. Na dança precisamos nos entregar para música tal como uma mulher se entrega ao seu amado, precisamos respirá-la, senti-la, amá-la e nos envolver com ela explodindo toda esta emoção no movimento do corpo.

Uma adequada leitura dos ritmos e maqans também são essenciais para uma boa dança, cada ritmo tem uma contagem, ginga e cadência própria que serão traduzidas nos passos da dança, e a colocação destes passos também depende, além do ritmo, da instrumentação utilizada e do “maqan”. Um exemplo clássico é o ritmo “Said”, não é porque a música entrou neste ritmo que existe uma necessidade de usar passos folclóricos, outros aspectos precisam ser observados, principalmente os instrumentos e o contexto da dança. Existem também passos que não “casam” com determinados ritmos, por exemplo, o básico egípcio não “casa” com o Laff (Malfouf), apesar de “dar para fazer”, não é apropriado pois o passo completo se dá em 4 tempos e o ritmo Laff é binário. Além da questão técnica e matemática, um aspecto que eu costumo utilizar muito nos meus estudos de passos e ritmos é o histórico de um determinado ritmo, de qual região provém, para quais rituais era tocado, em quais culturas podemos encontrá-lo, e daí vou puxando o fio da meada que muitas vezes se enrosca, mas sempre acabo descobrindo coisas fascinantes.

Enfim, o estudo da dança e da música oriental é infindável, porém nos proporciona momentos intensos de prazer e emoção, pois nos remete a uma busca das nossas próprias origens como seres divinos que somos, e nos possibilita entender o que muitas vezes não conseguimos entender com a razão, mas sim com as nossas almas, basta fechar os olhos e sentir.

Para quem quiser saber mais, ofereceremos dois cursos em Maio/2010 relacionados ao assunto:

23/05 (domingo) das 15h as 19h – “Um Encontro com a Música Árabe” com Sami Bordokan
História da Música Árabe, sua estrutura, instrumentos, ritmos e escalas. Destinado a praticantes da dança do ventre, músicos e interessados na cultura e música árabe.

30/05 (domingo) das 15h as 19h – “A Dança na Música Árabe” com Sami Bordokan e Cristina Antoniadis
Reconhecimento e leitura de taksins e principais ritmos da música oriental. Destinado a praticantes da Dança do Ventre.

Informações – (11)3867-1738 ou 7274-9040