Nestes últimos dias me deparei com 3 momentos de 3 grandes artistas (Souhair Zaki, Glykeria e Fernanda Montenegro). Momentos estes que me fizeram refletir sobre a questão da idade.
Percebi que estas 3 diferentes e maravilhosas artistas, no esplendor da vida e da maturidade conseguiram superar a si mesmas e me surpreender ainda mais com o seu talento o qual eu já admirava.
O carisma e a sabedoria destas mulheres é algo que pegou dentro da minha alma, o que menininha nenhuma com corpinho e rostinho perfeito conseguiram fazer.
Refletindo sobre estas 3 mulheres incríveis, um pensamento não sai da minha cabeça, quero ficar incrível logo!!! Entretanto sei que isto vai demorar, pois é um longo processo, só com o passar dos anos é que vamos acumulando tanta bagagem a ponto de que ela começa a pesar tanto que sua distribuição torna-se inevitável, pois aquele que não distribui torna-se pesado e não consegue mais caminhar!
Podemos até nascer com um mega talento, mas a experiência de vida somada a este talento numa mente aberta faz coisas inacreditáveis, de beleza ímpar e sem artifícios. É um simples que representa o tudo!!
A grande bailarina Souhair Zaki, dançando, já com uma certa idade. Percebam quanta emoção é transmitida em cada movimento, a entrega, o prazer e o domínio total da cena.
Esta é a cantora grega Glykeria, no auge dos seus 64 anos estava em turnê pela América Latina, esta cena é a entrada dela no último show realizado em São Paulo, no dia 10/05/2012, o qual tive o imenso prazer de estar presente. Acompanho a carreira desta talentosa cantora que sempre teve uma linda voz, entretanto percebam como o seu timbre esta mais aveludado, mais trabalhado e carregado de emoções, sem contar o lindo "mawell" que ela executou no meio da música.
E aqui uma maravilhosa entrevista, um banquete de sabedoria, deste talento indiscutível que é a Fernanda Montenegro. Palavras que servem para qualquer artista, e que para nós bailarinas é cabem como uma luva!
Outras maravilhosas artistas que me impressionam em sua maturidade:
Tamalyn Dallal
Nadia Gamal, aos 60 anos
Nossa, não vejo a hora de ficar velha, mas quero ficar assim, carregada em emoções e sabedoria!!!
E da próxima vez que alguém falar que está velho para dançar ou que você é velha para dançar, lembre-se deste post!!!
bjssssss
Nos dias 13, 14 e 15/04 tivemos aqui na cidade de
São Paulo/Brasil, o maior festival de danças árabes da América Latina, o
Mercado Persa, idealizado pela mestra Samira e organizado por Shalimar Mattar,
este festival que começou pequeno e há 14 anos atrás atinge hoje uma dimensão
gigantesca e alcança milhares de pessoas entre as que o acompanham fisicamente
e também através das redes sociais, youtube, blogs e etc.
Neste ano não consegui participar do festival por
razões diversas e pessoais, mas não pude deixar de dar uma “escapadinha” e
prestigiar o evento na sexta e no sábado. Assisti algumas apresentações,
acompanhei alguns concursos e presenciei algumas situações e no final das
contas, também é legal ver “de fora” pois pude avaliar tudo por um outro olhar.
Foi muito prazeroso assistir o show de abertura na
sexta-feira a noite, no qual o tema foi a história da dança do ventre no
Brasil. Senti uma emoção muito forte em reviver momentos que fizeram parte da
minha vida, a reprodução de uma “taverna” onde tinham apresentações de
bailarinas relembraram a minha infância nos restaurantes e festas gregas e
árabes, quando ninguém achava estranho colocar uma bailarina em cima da mesa e
presenteá-la com dinheiro. Rever também as primeiras gerações de bailarinas da
Khan El Khalili, como Aisha Almee e Munira Magharib no palco, com modelitos “a
moda antiga” e dançando “a moda antiga” também me emocionaram e me relembraram
meus momentos frequentando a Casa de Chá e depois as primeiras versões das
Noites no Harém. Rever Cláudia Cenci no palco também foi maravilhoso, relembrei
da época do Clone e toda loucura que vivemos nesta fase com milhares de
apresentações por dia, dançando de um tudo para todos.
Muitas coisas lindas e interessantes fizeram minhas
pupilas brilharem. Assistir Saida dançar ao vivo é avassalador, a energia da
Samira e o sorriso da Shalimar são sempre contagiantes, e não poderia deixar de
citar a linda apresentação de dabke que Anthar Lacerda me proporcionou, um
colírio!
A quantidade de roupas lindas nos palcos, nos
desfiles, à venda nas barracas, uma incrível variedade de assessórios também
fazem do evento um sucesso. Fiquei realmente feliz em perceber a volta dos
figurinos de dança do ventre num estilo mais tradicional, bem como deste
resgate em muitas das apresentações e resultados de concursos.
A culinária também não deixa a desejar, um falafel
para árabe nenhum botar defeito me deu energia para um dia inteiro. E sem
contar o prazer de reencontrar pessoas queridas, conhecer profissionais
diferentes e ver como cresceu o número de praticantes da nossa tão amada dança
do ventre.
Entretanto, algo me incomodou e me deixou muito
chateada e me senti na obrigação de dizer. Mesmo com toda a acessibilidade à
informação que as pessoas tem hoje em dia a respeito das danças orientais, a
quantidade de grupos que distorceram tradições e folclores foi decepcionante.
Alguns grupos não tem a mínima noção do que é uma dança folclórica e do que não
é, da questão dos trajes, das músicas, dos movimentos e passos. Neste ponto,
gostaria de deixar um alerta aos grupos que se inscrevem como folclóricos.
Estudem, pesquisem, façam aulas com quem entende, leiam o regulamento do
festival, e só depois concebam um trabalho para apresentar. É preciso ter um
pouco de respeito com o público, seja este leigo ou não.
Veja bem, o leigo assumirá como verdade a sua
proposta, e o não leigo se sentirá ultrajado e agredido (foi como me senti),
não é o que você quer né!
Um bom começo é a definição de folclore pelo
Aurélio (dicionário) – folclore é o conjunto de poemas, canções, danças,
tradições e lendas de uma determinada região.
Outro conceito primordial é o de que estas danças
geralmente nascem de situações do cotidiano, são uma manifestação do
comportamento cultural, histórico e social dos indivíduos e expressam uma
tradição viva e popular.
É claro que quando levamos um folclore para o palco
estamos adaptando a tradição para um espaço cênico, mas há de se ter muito
cuidado para não distorcer ou ridicularizar. Sinceramente achei que o Brasil já
tinha superado isto, daí fiquei realmente triste.
Outra questão que me deixou chateada foi a falta de
educação do público. Precisamos sempre respeitar o artista que está no palco e
também àqueles que o estão prestigiando. Não é elegante passar na frente, falar
alto ou atrapalhar a quem esta assistindo. O mínimo é esperar o pequeno
intervalo entre uma dança e outra para passar, afinal, não é tanto tempo assim
né!
De qualquer forma, é sempre bom presenciar um
evento como este com a cara do Brasil, pois o que eu mais admiro no Mercado
Persa é a liberdade de expressão do artista. Ou seja, só não dança quem não
quer, pois são muitas as categorias, e para quem não quer concorrer, há sempre
a possibilidade de participar das mostras, tem espaço para todos! E podem já
reservar o meu, pois em 2013 estarei lá, eu e a Pandora Cia de Danças!!
Apreciem a linda apresentação da vencedora do concurso Solo Profissional Star
Dança do Ventre clássica, impecável, sem invencionices!
Quero compartilhar com vocês esta especial entrevista que cedi para o blog da bailarina Ísis Zahara. Além de mencionar alguns detalhes de como iniciei nas danças orientais, falo um pouquinho também sobre a dança do ventre no estilo grego e algumas curiosidades!
É muito comum lermos uma série de textos, artigos e
reportagens relatando os inúmeros benefícios da Dança do Ventre. Benefícios ao
corpo físico que melhoram nossa musculatura, flexibilidade, funcionamento do
organismo, queima de calorias e etc, benefícios no plano mental relatando a
diminuição do stress, e melhora da coordenação motora. Benefício no plano
emocional, ligados a auto estima, o amor próprio, a TPM e a plenitude de ser
mulher
A lista destes benefícios é bem grande, mas pela
minha experiência na prática da dança, nestes últimos 20 anos o maior e melhor
benefício que a dança do ventre me trouxe foram as amizades.
Tive amigas na escola, faculdade, empregos,
amizades muito boas mas que se foram com a distância, não que deixaram de ser
amigas, mas perdemos o contato. Entretanto as amigas que fiz na dança, nunca
mais se foram, mesmo distantes estão sempre perto, é como se tivéssemos
realmente um pacto de sangue, o que me fez pensar um tanto sobre o assunto.
Então concluí que a dança traz este benefício também, pois na dança encontramos
pessoas que realmente tem a mesma sintonia, a mesma filosofia de vida,
afinidades verdadeiras, afinidades de alma.
Na escola, no trabalho e na família também temos
amizades, mas na dança as amizades se tornam mais profundas pois dividimos não
só uma sala de aula ou um palco, dividimos nossas emoções, nossos medos, nossas
fragilidades e nossas virtudes de forma aberta e clara.
Quando alguém procura uma aula de dança do ventre,
raramente procura somente por achar a dança bonita ou para querer fazer um
exercício físico. Mesmo que inconscientemente, a mulher que quer aprender dança
do ventre quer também saber mais sobre ser mulher, quer resgatar valores
femininos de um passado muito remoto no qual nossas civilizações eram matriarcais,
quer resgatar o elo feminino e a união que nossas ancestrais possuíam e que
hoje em dia é tão raro, quer entender as ansiedades da sua alma e encontra no
contexto das aulas e da dança mulheres que tem estas mesmas ambições.
Quantas vezes não escutamos uma colega dizer que a
amizade entre homens é mais sincera, ou que uma colega quis sabotar outra para
lhe roubar um namorado, ou cargo ou mesmo status social. Eu sinceramente não
acredito que a mulher seja este ser ardiloso e cheio de maldade e que vivem
isoladamente, acredito somente que mulheres que agem desta forma o fazem por
não terem encontrado um equilíbrio no seu eu interior, assim como alguns homens
também agem desta forma . As mulheres da atualidade precisam perceber em
primeiro lugar que são mulheres, são diferentes dos homens e não precisam agir
ou pensar como eles.
Nas aulas de dança do ventre (pelo menos as que
ministro e as que frequentei) isso fica bem claro, somos diferentes, podemos
nos unir, podemos ter emoções, podemos rir e chorar ,podemos errar, podemos ter
quilos a mais ou a menos, podemos ter prazer e nos aceitar da forma que somos,
nos sentir bonita, elogiar a outra, ser nova ou velha, ser branca, oriental ou
negra. Podemos sentir, ficar descalças e perceber a energia que vem da terra e
invade nossos ventres, podemos ser livres e demonstrar nossos sentimentos de
verdade, ser cúmplices das nossas fraquezas e testemunhas das nossas glórias, e
assim vamos criando um elo com cada companheira de dança que é difícil de
romper, vai nascendo um vínculo construído com grandes e fortes alicerces, um
vínculo baseado em verdades profundas das nossas almas, um vínculo o qual
chamamos de AMIZADE!
Com muita emoção e recém chegada de Natal/BR onde
reencontrei amigas, irmãs de alma, trazidas para minha vida pela dança, dedico
este texto para Regina Silva, Vanessa Abílio e Denise Mussio que transformaram
esta viagem num encontro inesquecível, e também a Claúdia Parolin e Naira Gios
que, mesmo fisicamente ausentes, estavam muito presentes nas nossas lembranças.
Dedico também a todas as professoras e alunas do
Pandora Espaço de Danças, que transformam a minha diária labuta em fonte de
imensos prazeres e realizações como ser humano!
Uma linda semana a todas!!
Minhas amadas amigas no dia do meu casamento - Amo vocês
Queridos, após um longo período sem postar, estou de volta, com a corda toda e de cara nova!!!
Confesso que fiquei um tanto desestimulada a continuar com a proposta do blog, a dificuldade em compartilhar informações que considero preciosas e que muitas vezes foram vítimas de injustos apedrejamento me deixaram desanimadas. Por outro lado, recebi inúmeros pedidos para continuar com as postagens. Aceitarei críticas e sugestões, todas são bem vindas, desde que assinadas. Falar mal e não se identificar, desculpem, mas tá fora, vou excluir!!
Gostaria de saber a opinião de vcs sobre os assuntos que gostariam que eu escrevesse para que eu possa atender as necessidades (quando for da minha alçada), e compartilharmos assim conhecimento!!
Neste texto gostaria de explicar um pouco sobre o estilo grego de Dança do Ventre, mais conhecido por Tsiftetelis ou Chifteteli (em turco), há tempos tenho pesquisado, estudado e observado mas ainda sei pouco sobre o assunto, entretanto gostaria de compartilhar este pouco.
Muito se discute sobre a origem desta dança, e é bem curioso o fato dos próprios gregos afirmarem e desconhecerem que sua origem não é turca, e sim grega, na verdade helênica (cultura grega oriental)! Isso se deve ao fato de que esta dança é muito antiga, provêm de rituais femininos e cultos as deusas da antiguidade, entretanto foi na Ásia Menor (Mikra Assia) que ela se desenvolveu mais parecidamente com o que conhecemos hoje. Esta região pertenceu à Grécia até o ano de 1453, quando os turcos otomanos chegaram e dominaram também boa parte do Oriente Médio, Grécia Européia e Asiática e Leste Europeu.
Vejam bem, os turcos são originários de tribos do Turcomenistão e região do norte da Mongólia, eram povos bárbaros e guerreiros e assimilaram a cultura dos locais onde passaram. Toda a região que hoje pertence ao litoral da Turquia, era Grécia e muitos gregos ali viveram até sua expulsão no século XX, ou seja, quando os turcos ali chegaram, já havia uma cultura fortemente estabelecida há cerca de 6.500 anos.
Neste filme, que trata da região de Smirna (atual Turquia) em 1922, podemos observar uma taverna onde se toca música grega e podemos notar a presença de gregos, europeus e turcos. Percebam que os instrumentos musicais clássicos gregos são os mesmos que os árabes (alaúde, kanun, daff, mazar, violino), que fumam arguile (ou narguilê em grego) e dançam o tsiftetelis!
Minha avó paterna era de Smirna, sua família foi expulsa pelos turcos pois eles se recusaram a se islamizar (o grego é cristão ortodoxo quase fanático), e eles fugiram para o Egito. Eles falavam o grego, seus costumes e tradições eram gregos, sua culinária, trejeitos e etc. A expulsão dos gregos desta região foi tamanha que hoje em Athenas existe uma bairro chamado Nea Smirna (Nova Esmirna), a maioria proveniente desta região, e que sofreram muita discriminação ao chegarem na Grécia por serem tratados como Turcos (daí o equívoco em se dizer que o tsifteteli e muitas outras coisas da cultura helênica são turcos). Um filme belíssimo que recomendo e trata exatamente deste assunto chama-se “O Tempero da Vida” (Politiki Kouzina).
A palavra tsiftetelis deriva da palavra do grego arcaico “diphuatila” que significa 2 cordas. Originalmente, este estilo de música era tocado num percussor de um instrumento chamado baglamá, que possuía apenas 2 cordas.
O nome da dança coincide com nome do estilo musical e com o nome do ritmo, o qual descrevo a seguir, e pode ser tocado tanto de forma lenta como mais acelerada:
DUM - TAK – TAK DUM – TAK
O estilo grego de Dança Oriental se difere do egípcio e do árabe em diversos aspectos. O principal deles está na ênfase em movimentos pélvicos e na postura da bailarina que executa a dança quase inteira numa posição com um leve cambrê e a pélvis a frente. Os oitos e redondos são muito comuns também e são executados com um “arrastamento” dos pés com os calcanhares bem apoiados no chão. Outra característica muito comum é a acentuação das batidas quase sempre para cima e também a dança executada no chão.
O próximo vídeo demonstra uma jovem grega dançando o tsiftetelis despretensiosamente:
Hoje em dia, é muito comum na Grécia tocar o tsiftetelis em casas noturnas, festas e eventos, e todos dançam, principalmente na formação de casal. O instrumento musical tradicional mais utilizado atualmente é o bouzouki, entretanto notamos que com a modernização e massificação cultural, instrumentos como o kanonis (kanum), tumbeleki (derback), daff, violino e clarino foram substituídos por teclados, baterias, guitarras, o que é lamentável e descaracteriza totalmente a cultura helênica!
Neste próximo vídeo, exemplifico um dos estilos mais tradicionais de tsiftetelis, que consiste numa improvisação de bouzouki:
A troca cultural entre gregos e árabes é também algo milenar, os gregos sempre tiveram grande fascínio pelo Oriente, tanto que levou Alexandre, o Grande até a Índia, e é muito comum nas letras de músicas gregas serem mencionadas as belezas e riquezas do povo árabe. Desde a antiguidade a Grécia importava cantoras do Egito pois eram consideradas as melhores vozes, faziam comércio com os Fenícios e adotaram seu alfabeto, estudavam o povo persa, podemos dizer que naquela época havia uma real globalização cultural e o que conhecemos hoje por cultura helênica, na verdade é a intersecção da cultura grega clássica com a cultura oriental.
Este intercâmbio acontece até os dias atuais, um grande exemplo disto é a música “Ya Ghayeb” ou “Posso Mou Lipis”, foi um grande sucesso pop.
Outro aspecto muito interessante que me deparei em minhas pesquisas, são as inúmeras estátuas e figuras da antiguidade, datando de aproximadamente 300a.c com bailarinas utilizando véus. Os snujs ou sagats(zíia em grego) também tem origem grega, de um período anterior ao da antiguidade clássica, chamada era do bronze, e eram utilizados um tanto diferente, nos polegares e indicadores, e não no dedo médio com nos dias atuais.
No próximo vídeo eu estou executando o Tsiftetelis de uma forma mais cênica, a música escolhida é do cantor Giorgos Dallaras, chama-se “Me teliosses”:
A Dança Oriental, Raks El Sharki ou mesmo Dança do Ventre como é mais conhecida aqui no Brasil é uma dança fascinante, não só pelos movimentos complexos que exigem bastante consciência corporal e treino mas também pela sua integridade com a música.
Na filosofia oriental, dança e música é uma coisa só, não existe no universo música sem dança e vice e versa. Na música árabe os instrumentos tocam uma melodia em uníssono e a dança é mais um elemento que integra ao todo formando uma única arte.
Uma das principais características das artes árabes é a riqueza de ornamentos e com a música e a dança não é diferente, são numerosas em detalhes, são rebuscadas e possuem uma forte conexão com as emoções e com a alma.
Uma das características que mais diferencia a música oriental da ocidental são os modos, na música oriental existem mais de 400 escalas e isso é possível devido a não limitação de notas musicais sendo muito comum a utilização de quartos de tom. A essas escalas se dá o nome de “maqan” e para cada “maqan” podemos associar diferentes sensações, ou seja, existem “maqans” que enchem nossos corações de alegria, outros de tristeza, outros de nostalgia, espiritualidade, força, paixão, sono, euforia... Outra característica já citada anteriormente é a melodia tocada em uníssono por todos os instrumentos. Não podemos deixar de citar também as “taksins”, que são improvisos de cada instrumento dentro de um determinado “maqan” com ou sem base rítmica. E por falar em ritmo, não podemos deixar de citá-los pois são inúmeros podendo uma só música contemplar vários ritmos diferentes. São muitos detalhes além destes que vão moldar a música árabe, mas acredito que estes sejam os principais.
A Dança Oriental segue também pelo mesmo caminho, e uma das características mais interessantes é sua conexão o tempo todo com a música, acompanhando cada nota, cada ornamento e humor. Na dança precisamos nos entregar para música tal como uma mulher se entrega ao seu amado, precisamos respirá-la, senti-la, amá-la e nos envolver com ela explodindo toda esta emoção no movimento do corpo.
Uma adequada leitura dos ritmos e maqans também são essenciais para uma boa dança, cada ritmo tem uma contagem, ginga e cadência própria que serão traduzidas nos passos da dança, e a colocação destes passos também depende, além do ritmo, da instrumentação utilizada e do “maqan”. Um exemplo clássico é o ritmo “Said”, não é porque a música entrou neste ritmo que existe uma necessidade de usar passos folclóricos, outros aspectos precisam ser observados, principalmente os instrumentos e o contexto da dança. Existem também passos que não “casam” com determinados ritmos, por exemplo, o básico egípcio não “casa” com o Laff (Malfouf), apesar de “dar para fazer”, não é apropriado pois o passo completo se dá em 4 tempos e o ritmo Laff é binário. Além da questão técnica e matemática, um aspecto que eu costumo utilizar muito nos meus estudos de passos e ritmos é o histórico de um determinado ritmo, de qual região provém, para quais rituais era tocado, em quais culturas podemos encontrá-lo, e daí vou puxando o fio da meada que muitas vezes se enrosca, mas sempre acabo descobrindo coisas fascinantes.
Enfim, o estudo da dança e da música oriental é infindável, porém nos proporciona momentos intensos de prazer e emoção, pois nos remete a uma busca das nossas próprias origens como seres divinos que somos, e nos possibilita entender o que muitas vezes não conseguimos entender com a razão, mas sim com as nossas almas, basta fechar os olhos e sentir.
Para quem quiser saber mais, ofereceremos dois cursos em Maio/2010 relacionados ao assunto:
23/05 (domingo) das 15h as 19h – “Um Encontro com a Música Árabe” com Sami Bordokan
História da Música Árabe, sua estrutura, instrumentos, ritmos e escalas. Destinado a praticantes da dança do ventre, músicos e interessados na cultura e música árabe.
30/05 (domingo) das 15h as 19h – “A Dança na Música Árabe” com Sami Bordokan e Cristina Antoniadis
Reconhecimento e leitura de taksins e principais ritmos da música oriental. Destinado a praticantes da Dança do Ventre.